quarta-feira, 20 de agosto de 2014

SADC: DESENVOLVENDO UNIÃO E SOLIDARIEDADE PARA PRODUZIR UMA MUDANÇA DO SISTEMA

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SADC: DESENVOLVENDO UNIÃO E SOLIDARIEDADE PARA PRODUZIR UMA MUDANÇA DO SISTEMA

ON .

Via Campesina, Assembleia das Mulheres Rurais, Diálogo dos Povos e WoMin
Bulawayo, 14 de agosto de 2014 — Mulheres dos quatro cantos da África Austral reuniram-se em Bulawayo, Zimbabwe em paralelo à Cimeira dos Chefes de Estado da SADC, naquilo que se chamam de Cúpula dos Povos, que decorrer de 14 a 16 de Agosto. Reuniram-se para partilhar as suas experiências relativamente às consequências das decisões dos governos com pouca ou nenhuma consulta popular ou da usurpação de terras da persistente exploração agrícola vinda dos tempos coloniais.
Mais do que isso, as mulheres juntaram-se para desenvolver e consolidar a sua solidariedade, forjar robustas alianças e reunir forças na luta por uma mudança de sistema. No primeiro dia, a reunião arrancou com uma mística, canto e uma encenação representando os desafios que enfrentam as mulheres rurais na sua maioria (expropriações, perda de meios de subsistência, etc.) e a vitória resultante da união de propósitos e da solidariedade.
Foram expressas mensagens de solidariedade para com o povo da Palestina atualmente vítima de terríveis atos de violação dos direitos humanos com o massacre de civis inocentes perpetrado por Israel. Para além disso, demonstrou-se solidariedade para com os muitos ativistas políticos presos na Suazilândia por expressarem as suas opiniões políticas.
Mercia Andrews, da Assembleia de Mulheres Rurais, instou as mulheres a desenvolverem uma forte união e solidariedade para reforçar a resistência e a voz do povo. "Os movimentos trazem mudança! Mudam a sociedade e o país! Só os movimentos organizados de mulheres podem mudar as circunstâncias", explicou. As mulheres constituem a maioria dos produtores alimentares e do eleitorado não só da África Austral, mas também da África inteira. Grace Tepula, líder camponesa da Zâmbia, encorajou as mulheres a servirem-se da sua força maioritária para produzir a mudança. Na sua opinião, "uma mulher é mulher e mãe. Sem mulheres não há alimentos. As mulheres deveriam possuir terra com direito a título de propriedade".
Elizabeth Mpofu, coordenadora geral da La Via Campesina reitera a necessidade de resistir para trazer a mudança. Mais ainda, sublinhou a importância da terra e da soberania alimentar para a vida das populações rurais e da proteção contra as sementes OGM e políticas como a da harmonização das leis das sementes que destroem os meios se subsistência das pessoas.
A Cimeira dos Chefes de Estado da SADC deste ano centra-se nos recursos naturais e no valor acrescentado, mas não aborda o agravamento da situação adversa em que se encontram as comunidades. Samantha Hargreaves da WoMin (Women in Mining) instou os presentes a juntarem-se à aliança na luta contra as empresas de extração mineira que roubam as comunidades e lhes poluem o ambiente. Farai Maguwu considera que os governos ocidentais em nada contribuem para o desenvolvimento ou a erradicação da pobreza na África; muito pelo contrário: roubam os recursos naturais do continente e impedem os africanos de decidirem sobre o seu próprio desenvolvimento.
Assim sendo, é preciso travar o saque de recursos naturais africanos pelas transnacionais. Está a decorrer uma campanha em prol do desenvolvimento da soberania popular que visa desmantelar o poder corporativo e acabar com a sua impunidade. “A soberania é fundamental na nossa luta por uma vida melhor para todos”, afirmou Brid Brennan, do Transnational Institute. As palavras de Elizabeth Mpofu fizeram ressonância com as de todos os oradores: “Não estamos aqui para celebrar e sim para saber quem somos e contra o que lutamos. Estamos aqui para consolidar a nossa resistência, porque ninguém nos virá salvar destes desafios."
A Cimeira dos Povos não é apenas uma reunião que segue a Cimeira dos Chefes de Estado, mas sobretudo uma força basilar crescente e que visa um futuro melhor caracterizado pela igualdade e a equidade geral. Governo algum poderá ignorar este movimento e a sua voz em contínua expansão.
Tradução: Michelle MV Hapetian
Revisão/adaptação: Boaventura Monjane

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